Boa tarde, acompanhante desse fantástico mundo que a cada dia ganha mais adeptos, admiradores e leitores casuais.
Em retribuição a todo este carinho, continuarei postando aqui, textos e poesias de minha autoria. Vocês fazem toda a diferença. Os elogios feitos ao blog, não inflam meu ego, e só é uma felicidade completa por saber, que ao elogiarem, vocês são modificados ou “mexidos” de alguma forma. Saber que consegui através do que escrevo, fazer com que vocês identificassem fatos que não haviam conseguido entender anteriormente, é uma honra para mim. Diria que a maior felicidade de um escritor, não é a fama nem o que ele consegue tocar, e sim o reconhecimento e saber que tocou alguém sem tocá-lo realmente.
Vamos ao que todos esperam: “O poder do inesperado” – Parte 4/5.
___ Final da parte 3
E quebrando o gelo, o sujeito disse com os olhos cheios de lágrimas:
” – Nossa senhor, você não tem idéia o quanto é ruim passar fome. Não sabia o quanto era ruim. Não desejo que você passe fome um dia, é muito ruim.Não desejo isso para ninguém. Nem para o meu inimigo. O que você esta fazendo por mim, não tem preço.”
(Chorei sem ter vergonha que o sujeito me visse chorando. Não tive mais vergonha de mim naquela conversa. A raiva que sentia por mim mesmo já tinha passado. Porém, não estava ainda satisfeito.)
___Parte 4
Ao perceber a minha situação, o sujeito fez um comentário que soava mais como um pedido indireto. O mesmo disse que havia passado frio na noite anterior, e que tinha poucas roupas em sua sacola. Deixando o comentário jogado no ar.
(Pensem comigo , surge alguém do nada que o alimenta , senta ao seu lado e começa a conversar… Ele tinha todo o direito de tentar ser feliz o quanto fosse. A oportunidade passara ali e não podia deixá-la ir, sem ao menos conseguir extrair mais dela.)
Ao perceber o seu pedido, falei que tinha alguns casacos e bermudas que não usava mais fazia algum tempo, que ficavam la jogadas em algum canto do meu armário. Ao terminar a frase,o sujeito sorriu e parecia já se sentir agasalhado. Entendera a minha resposta, mas ficou calado , parecendo não querer “abusar da boa vontade”. Cortei o silêncio pedindo para que esperasse , e que já voltava com as roupas que tinha dito. Sua reação foi esta:
- Você jura?Não acredito, você volta mesmo? Fico até sem graça, você é uma pessoa muito boa, de verdade.
Dei um sorriso e virei às costas. Senti-me realmente naquele momento “uma pessoa muito boa, de verdade”. Parecia estar me tornando mais humano, mais feliz. A felicidade do sujeito havia me contagiado. Porém, ao mesmo tempo, sentia uma vontade de chorar… Tentava olhar a vida aos olhos do sujeito, tentando entender o porquê dessa exclusão na sociedade. Pensando também, em outros milhares de casos iguais ou piores ao dele. Aquilo me entristecia. Não estava ao meu alcance, e mesmo se estivesse , sozinho, não seria capaz de mudar os fatos.
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Voltei com duas sacolas cheias de roupa, e a mesma felicidade estampada juntamente com a incredulidade em seu rosto, estavam presente outra vez. Parecia uma criança na noite de natal. Mesmo com mais de vinte anos, suas expressões faziam com que o natural, parecessem ingenuidade e pureza.
Ele abriu as sacolas e agradeceu mais uma vez, fazendo os mesmos elogios feitos anteriormente, me deixando cada vez menos insatisfeito.
Mas o intrigante é que não fiquei satisfeito por completo, mesmo após todos esses acontecimentos. Chegando ao ponto em que percebi posteriormente, que não adiantaria de nada , ajudá-lo hoje, para que amanhã ele fosse descriminado e invisível para os demais. Faltava mais uma coisa: Tirar aquele sujeito das ruas.
Lembrei de um comentário feito por ele logo no início da conversa. Ele havia dito que ficava por ali, pois existia outra pessoa que o ajudava sempre que podia, mas que ultimamente não tinha tempo para ajudá-lo.
Perguntei quem era a tal pessoa , um pouco antes de me despedir e ele me respondeu que era uma assistente social que trabalha no “mini – Hospital” em frente onde nós estávamos.
Iria procurá-la no dia seguinte. Ela com certeza poderia fazer muito mais por ele do que eu. Despedi-me dele, que me respondeu com mais agradecimentos e comentários de “Até amanhã”. Ele sabia que a fome voltaria, e eu também.
___Parte 5
No dia seguinte, fui trabalhar, com o encontro da noite anterior na cabeça. Passei o dia distraído , desatento e insatisfeito. Achava que poderia ter feito mais por ele. Não havia sido o “herói” e sim um quebra-galho. Insatisfeito também por pensar que naquele momento, o sujeito estava lá, sendo ignorado por mais pessoas , que desconheciam o poder do inesperado.
Sai do trabalho o mais cedo que consegui. Parti apressadamente para tentar encontrar a tal assistente social , na tentativa de resolver os problemas do sujeito e a minha insatisfação com a situação.
Quando chego lá, e me deparo com a seguinte cena: O sujeito com o mesmo sorriso do dia anterior, em pé , de frente para uma mulher que gesticulava e não parava de falar. Algo de bom sentia que era, porém não sabia sua intensidade.
Me aproximei dos dois , e acenei para o sujeito que veio correndo em minha direção chorando e falando frases embaralhadas, nas quais não entendia nem uma sílaba. Momento depois,mais calmo , ele me apresentou a “assistente social que te falei ontem”.
Parecia uma obra perfeita do destino , cronometrada e arquitetada. O encontro não poderia ter sido em melhor hora. Acreditava que resolveria tudo conversando com aquela senhora, porém não sabia que esse “tudo” já havia sido resolvido por ela.
Ela disse logo após as apresentações:
- Ele me falou de você hoje… Essa semana foi só de acontecimentos bons , hoje eu trouxe para ele a notícia que consegui uma vaga em um abrigo que ajudo, e que ele enfim terá um grupo de pessoas que se preocupam com ele.
Como palavras mágicas , as palavras da senhora destruíram por completo a minha insatisfação. Estava mais feliz que os dois naquele momento, tinha certeza. Sentia-me parte integrante desse feito , ajudante fundamental nessa mudança de vida daquele ser humano. Passei a acreditar que não era a única pessoa com compaixão e tristeza pela situação em que o agora, ex-morador de rua, se encontrava . Aquela minha raiva do pensamento individualista e discriminativo da sociedade , foi abafada pela esperança de uma minoria que pensava igual a mim. Conheci e refleti sobre os dois lados da moeda em menos de 24 horas.
No dia subseqüente, ele não estava mais lá. Com certeza estaria em um lugar bem melhor. Talvez daqui a um tempo até se esqueça de mim. Caso for melhor pra ele , que assim seja. Não quero que as lembranças ruins do tempo em que era invisível para uma grande parte da sociedade voltem à tona em sua cabeça. Porém tinha certeza de que eu , jamais esqueceria tudo que aprendi , presenciei e mudei , com aquilo tudo. Hoje sou agradecido ao poder do inesperado. Sou mais humano , mais feliz e o melhor de tudo… Satisfeito comigo mesmo . O início de um bom futuro começou para aquele sujeito , passando de igual para igual.
Não me perguntem o seu nome… Tento me lembrar até hoje, mas não consigo. Contenta-me saber que outras pessoas hoje , sabem dessa história. Posso até não lembrar o nome do “sujeito “… Acho melhor lembrar-me dele como um ser humano que ajudei. Seu nome foi esquecido, mas não sua história. Que perpetuo neste blog. Obrigado pela atenção de todos! Segue abaixo, a minha “cartilha” de vida.
Lições de um Sonho Sincero.
Não tente me transformar
Em algo que não quero
Muito menos se infiltrar
No meu sonho mais sincero
Criei uma imagem errada
Esperei muito do outro
Decepções tornam a vida engraçada
Deixando o coração mais solto
Caia, levante e procure uma Saída
A vida é muito curta para ser perdida
Imagine uma história em que você é o protagonista
Mire o ponto certo e não o perca de vista
Não invente leis para serem quebradas depois
Viva a sua vida e de preferência vida a dois
Mate os seus medos sem medo de morrer
Não tente dormir cedo achando que não ira sofrer.

” Necessário , somente o necessário e o extraodinário é demais.”
OBRIGADO !
E BOA SEMANA !